Como gerir os novos agentes de mudana nas empresas
12 de Maro de 2018
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Como gerir os novos agentes de mudança nas empresas

Quando se fala que em Portugal existe um problema nacional, crónico de produtividade, como empresário, não posso deixar de ficar incomodado. Digo isto porque em primeiro lugar, na minha opinião e no final do circuito, a baixa produtividade é um problema das empresas que não dotam os seus colaboradores das melhores ferramentas tecnológicas para que sejam eficientes, mas não só. O que dizer da inexistente ligação entre o mundo empresarial e as universidades. Bem sei que estou a entrar em caminhos que não domino, mas tenho ideia que o método de ensino não mudou significativamente nos ultimo s 20 anos. A verdade é que o mundo mudou e bastante, como tal o “gap” só pode ter aumentado. Finalmente há ainda questões culturais e geracionais, onde os decisores ou responsáveis das empresas, continuam a ver o mundo não valorizando, entre outros, a inteligência relacional ou as soft skills.

 

Assim sendo, como podem as empresas, que contratam as pessoas para trabalhar, investir ainda mais na sua formação, porque, por exemplo, não sabem fazer uma base dados, usar macros ou tabelas dinâmicas no Excel? Acima de tudo, não estão formatadas para pensar, precisamente aquilo que a universidade deveria ter proporcionado.

 

Claro que assim, os executivos não conseguem tirar partido de todo o talento humano e porque nem sempre conseguem criar espaços seguros dentro das organizações, propícios ao desenvolvimento pessoal e profissional, os jovens desmotivam e saem.

 

É importante que os executivos consigam potenciar os seus colaboradores a estarem satisfeitos, motivados e a quererem ir mais longe.

 

Há aqui também lacunas em nós, executivos, não querendo entrar em polémicas e filosofias, parece-me que a grande dificuldade assenta no desconhecimento dos novos drivers de mudança e também no uso das plataformas digitais para alavancar negócios. Eu próprio sofro desse mal, apesar de ser fã de gadgets e soluções tecnológicas para otimizar procedimentos e projetos.

 

Hoje, os executivos não podem pensar que conseguem controlar as suas equipas como antigamente, no momento certo têm de ter todas as capacidades e talentos para responder em consonância com a situação. Qualquer atividade, hoje em dia, tem tantas variáveis exógenas e endógenas, que ter apenas uma pessoa para controlar tudo e não haver danos colaterais é impossível. É preciso delegar e confiar.

 

Em primeiro lugar, interessa que nós, executivos, tenhamos competências de negócio ou Hard Skills, mas também autoconhecimento e confiança. Em cada momento, sermos capazes de responder de uma forma adequada, de acordo com a situação, em harmonia connosco e o nosso talento.

 

O problema é que existem muitos executivos que não confiam nos seus talentos. Outros nem sabem que os têm, pura e simplesmente não se conhecem, nem o seu estilo de liderança.

 

E, assim, quem não reconhece talento pessoal, não reconhece talento alheio.

 

Quando pensam que estão a fazer o bem, estão por vezes a fazer o mal. Quando pensam que estão a ser autênticos na sua expressão, estão na sua maioria a falar de si e para si, numa retroalimentação do seu próprio ego e numa aparente “racionalidade” que assenta no seu inconsciente. A racionalização de tudo à sua volta torna-os incapazes de se verem ou sentirem, resultando na incapacidade de verem a dimensão da “pancada” emocional que por vezes induzem na esfera individual e coletiva.

 

Há uma anedota que que costumo contar às minhas equipas e representa o que quero dizer.
Uma pessoa vai comprar um papagaio e, ao chegar à loja, estão três num poleiro. O do poleiro mais baixo custa 500€ e, segundo o vendedor, falar francês. O do meio custa 1.000€ e fala alemão, o de cima fala pouco e custa 5.000€. Claro que o comprador pergunta logo se este último fala tão pouco, porque é o mais caro, ao que o vendedor responde: “Fala pouco, mas quando fala os outros calam-se”.

 

Em conclusão, o melhor líder não é o que fala para as suas equipas horas a fio como se fosse para si em frente ao espelho. É o que ouve e só fala no final se for preciso!

 

(in http://www.empreendedor.com/gerir-os-novos-agentes-mudanca-nas-empresas/)

 
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