Paulo Veiga, Administrador da EAD, faz balano da actividade da empresa nos Aores desde 2008
19 de Maio de 2017
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Paulo Veiga, Administrador da EAD, faz balanço da actividade da empresa nos Açores desde 2008

 

Que balanço é que se poderá fazer destes quase 10 anos de actividade nos Açores?
“Os Açores foram um marco muito importante, foi a nossa primeira experiência além do Continente e isto acarretava sempre dúvidas e receios. Mas viemos para ficar. Por isso é que não arrendámos nenhum edifício, mas comprámos instalações no Pico d´Agua Park e depois, em 2012, comprámos novas instalações, que até foram inauguradas pelo Secretário Regional de Habitação e Equipamentos, José Contente. Não somospessoas para olharmos para trás, olhamos sempre em frente, construindo, investindo e fazemos um balanço muito positivo. Investimos nas pessoas, dinheiro e muito do nosso tempo. O balanço que fazemos é,portanto,positivo, gostamos de estar nos Açores e dos açorianos, as empresas estão muito bem organizadas e, em termos documentais, as pessoas têm qualidade e rigor no trabalho que fazem, de uma forma geral, ao nível das entidades públicas ou privadas.

Olham para os documentos com algum carinho e com algum saber e é algo que não é muito usual, até no Continente.
A nossa experiência de 24 anos deu-nos estabilidade. Temos tido, de facto, um crescimento, não exponencial, mas no ano passado crescemos 5% e não existem muitas empresas, hoje em dia, que
crescem 5% nos proveitos e que mantenham margens de EBITDA de 26%, que, como sabe, é o produto gerado antes da função financeira. Por cada Euro que vendemos poupamos ou ganhamos 26
cêntimos. Estes resultados proporcionaram-nos sermos em 2016 PME Líder e este ano somos PME Líder e PME Excelência. Mas temos aprendido muito nos Açores, porque os nossos objectivos são
de internacionalizar e já fizemos inclusive propostas para comprar uma empresa na Polónia, e a experiência adquirida nos Açores tem sido muito importante para partirmos para a internacionalização”.

Mas o mercado nos Açores é muito específico, caracterizado por pequena e médias empresas de estruturas familiares, a serem elas próprias a gerirem a sua própria documentação. Essa mudança de mentalidade, ao longo destes quase 10 anos, foi fruto da evolução e da vossa experiência ou foi algo que foi preciso incutir?
“Este é um trabalho que nunca está terminado, o «de evangelização». E nós,como líderes de mercado nesta área, abrimos fileiras de mercado, áreas de negócio, e o que sentimos é que isto não se faz só com publicidade, faz-se com verdadeiras parcerias. Há uns anos que temos uma parceria com a Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada, também já estamos em Angra do Heroísmo a fazer uma acção semelhante. Acreditamos muito em parcerias e esta «evangelização» passa pela realização de workshops, como aquele que fizemos com o apoio da Câmara do Comércio, que serviu para alertar os pequenos empresários para a importância dos processos documentais nos seus negócios. Este trabalho de «evangelização é permanente e contínuo. Workshops, seminários, até entrevistas ajudam todos os que têm empresas ou trabalho em organizações de corresponsabilidades de alguma dimensão a terem a noção que é preciso controlar, rastrear, arquivar, gerir os seus documentos, porque, hoje em dia, o Estado faz um trabalho excepcional nesta matéria. Estado, Autoridade Tributária, Segurança Social e os tribunais estão mais interligados e trocam informação entre si, e nós temos do nosso lado, da economia real, que cumprir, evitando problemas que não interessam às organizações”.

 

No caso dos Açores, quem recorre mais aos vossos serviços? Sector público ou sector privado?
“Claramente o sector privado”.

 

Tinham um cliente de referência, o Banif, que perderam. Foi difícil ocupar esse espaço ou continuaram o vosso caminho sem estarem independentes de um único cliente e de uma estrutura?
 “Efectivamente foi difícil e foi um cliente âncora que fez-nos um desafio, na altura, para virmos para cá e era um cliente de grande dimensão. Eles são um cliente âncora há nove anos, mas, nestes 10 anos, a nossa presença contínua e de
apresentação ao mercado possibilitou que ele, quando saiu, fosse um cliente de 30% do volume de negócios.Claro que foi um soco no estômago, mas, que eu saiba,isso não mata ninguém. Neste momento, felizmente, e resultado do nosso trabalho, posso dizer que há empresas do ex-grupo Banif da área dos fundos a colocar mais serviços nas nossas instalações. Os grandes grupos económicos da Região são praticamente todos nossos clientes, como o Grupo Marques, o Grupo Bensaude ou a Transportadora Aérea SATA, além de clientes que são do Continente e têm operações e que usam os nossos serviços.Gostam dos nossos serviços e gostam de saber que temos um grupo regional, sólido e seguro.”

 

Que balanço é que faz do Workshop que fizeram em parceria com a Câmara do Comércio?
“O balanço é muito positivo. Estiveram presentes 17 pessoas. Estas parcerias são como as relações pessoais, se não as alimentamos elas morrem. Temos tido este cuidado, que tem sido recíproco, e
participamos sempre na Feira da Câmara do Comércio. Já não é a primeira vez que fazemos este tipo de acção de formação e quando surgem alterações na legislação, como surgiram há dois anos
no Orçamento do Estado, que passou o arguido de 10 para 12 anos com os prazos de conservação, tivemos o cuidado de avisar a Câmara para que pudesse avisar os seus associados.”.

 

Tiveram a sua primeira experiência em termos de descentralização com os Açores. Também já estão na Madeira. Nota grandes diferenças?
 “Existem diferenças substanciais. O nosso volume de negócios nos Açores é maior do que na Madeira. Aqui temos um volume de negócios na ordem dos 100 mil euros por ano. Na Madeira é inferior.
Em São Migueltodos os grupos empresariais, advogados, arquitectos e economias sabem que cá estamos e isso é um conforto, porque quando existir a necessidade com certeza vêm ter connosco. O mercado da Madeira é diferente, é mais horizontal. O forte é a hotelaria muito disseminada, por um lado, mas por outro muito concentrada em grupos económicos. Há mais empresas e não nos podemos esquecer que a Madeira tem uma zona franca e há muitas empresas de fachada que estão ali por razões fiscais. Também me parece que a situação económica das empresas da Madeira é mais difícil do que nas empresas açorianas. Parece-me que falta mais dinheiro na Madeira e vontade de fazer as coisas”.

 

A empresa tem um projecto de internacionalização abreve prazo, quando fez referência à Polónia, num mercado que é conhecido dos portugueses e com sucesso, como acontece com o Grupo Jerónimo Martins. É esta uma das razões ou existem outras razões?
“Não foi essa a razão principal, essa foi a cereja no topo do bolo. Quando estamos líderes de um mercado com cerca de 10 milhões de habitantes, três milhões que trabalham, um milhão e meio do Estado e um milhão e meio que está no sector privado e os restantes são os idosos ou crianças, este mercado está tomado e não se consegue crescer. Por outro lado, uma empresa sólida que tem dinheiro e uma equipa estável, altamente certificada e madura, está na altura certa para dar um salto para o exterior. Quando pensámos nisso fizemos um bocadinho como com os espanhóis quando dividimos o Mundo ao meio com o Tratado das Tordesilhas: América do Sul era giro, mas é longe e culturalmente complicado; América do Norte, mercado maduro;Europa do Norte, mercado maduro; África nem pensar; Ásia muito longe e muito complicado. Só sobraram os países dosegundo mundo, bloco leste: Bulgária, muito pobres; Roménia, nem pensar; Letónia e Lituânia, pequeninos. De repente aparece aquele país por onde toda a gente passou e que é um país com uma acentualidade óptima e com uma presença portuguesa de semi-grupos há bastantes anos. E essa foi a cereja, além de perceber, como economista que sou, depois de escolhermos a geografia e de escolhermos três ou quatro países, fomos ver os indicadores do Banco Mundial, as perspectivas de crescimento e as mudanças económicas que estão a existir na Polónia, com o novo governo que é de esquerda e que está a querer dar direitos, porque não há estrutura social para as pessoas, mas as previsões são as melhores. Olhamos para a educação, para o número de licenciados e as infraestruturas do país, que são maravilhosas percebemos que é um mercado muito espartilhado e com duas grandes multinacionais. Depois, o que existe são aqueles empreendedores polacos, jovens, a segunda geração após cortina de ferro, que já falam inglês e conhecem um bocadinho do mundo. Fizemos uma missão empresarial a sério com o apoio da Câmara de Comércio Luso-Polaca e fomos com as empresas selecionadas, dizer que gostaríamos de fazer parcerias com eles. De tudo o que vimos temos duas empresas identificadas, uma das quais já fizemos inclusive uma proposta vinculativa que esperamos que seja aceite para podermos tomar uma posição forte no capital dela. Outra, uma empresa da nossa dimensão que estamos com as negociações mais atrasadas mas que queremos também fechar as negociações”.

Percebi, através das suas palavras, que a entrada no mercado polaco far-se-á através de parcerias?
“Sim, sem pagar o prémio de entrada, porque quando investimos numa empresa que factura 600 mil Euros por ano, tem 15 pessoas e só tem uma competência, essa mesma empresa crescerá com toda a nossa eficiência e com todos os nossos produtos, pelo menos 15% durante os próximos três anos”.

 

A experiência da Polónia vai servir de base e de aprendizagem para poderem em estratégias de expansão desta mesma internacionalização?
“Umas das coisas que está em aberto é continuarmos às compras. Tentaremos crescer organicamente através dos nossos parceiros e se este modelo resultar, tanto melhor”.

 

A presença nos Açores é uma aposta ganha e será para continuar?
“Não pode ser de outra maneira. Adoramos os Açores e o que aqui aprendemos, fazemos e o que podemos vir a fazer pelos nossos clientes e pelos novos clientes não nos permite olhar para os Açores de outra maneira. Posso adiantar que em dezembro comprámos uma empresa concorrente em Portugal e fizemos um investimento de um milhão e meio de Euros, uma empresa que digitalizava 20 milhões de páginas. Portanto, somos na Península Ibérica o grupo de empresas que mais digitaliza. Neste momento já podemos falar em grupo empresarial e com a integração dos polacos seremos um grupo empresarial internacional”.

 
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