Prevemos investir na Polnia e em pases da Europa de Leste
07 de Maro de 2017
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Prevemos investir na Polónia e em países da Europa de Leste

2017 está a ser um ano em cheio para a EAD.
Adquiriu a portuguesa Fin-Prisma, num investimento que rondou um milhão de euros, e acaba de ser distinguida pelo IAPMEI e Turismo de Portugal com o prémio PME Excelência 2016.
Falámos com Paulo Veiga, para saber qual o balanço que faz dos 24 anos à frente desta empresa e quais os projetos para o futuro.


Surgiu há 24 anos como uma empresa vocacionada para a gestão da função arquivo, uma “Document Service Provider” que avalia métodos de trabalho em arquivo e gestão documental, e que conceptualiza, apresenta e implementa soluções ajustadas às necessidades dos seus clientes.
Líder de mercado em Portugal e pioneira em custódia e gestão de arquivo no país, a EAD abrange todo o território nacional, incluindo as regiões autónomas da Madeira e dos Açores, sendo a única empresa de gestão de arquivo com presença neste último arquipélago.

 

Com 680 clientes em carteira, 84 colaboradores, 30.000 m2 de área coberta de custódia, 700 mil contentores com documentação, 32 mil volumes de documentos entregues e 176 mil cópias de originais disponibilizados, a EAD fechou o ano de 2015 com uma faturação de mais de 4,5 milhões de euros e um resultado líquido de 710 mil euros, representando uma subida de 1% face ao ano transato, prevendo para 2016 uma faturação de 4,8 milhões de euros, o que se traduzirá num crescimento de 6%.
Em 2016, foi considerada uma das “Melhores Empresas para Trabalhar EXAME/EVERIS/AESE 2016 e agora acaba de ser distinguida pelo IAPMEI e Turismo de Portugal com o prémio PME Excelência 2016.

 

Em entrevista ao Link To Leaders, Paulo Veiga fala da oportunidade de negócio que vislumbrou há 24 anos e do que contribuiu para que hoje a EAD, que já pertenceu aos CTT, seja pioneira e líder de mercado na gestão documental em regime de outsourcing em Portugal.

O que o levou a criar há 24 anos uma empresa de gestão documental em regime de outsourcing?
Um acaso da sorte. Não existia na família nenhuma experiência anterior a nível de empresariado, mas um estágio em Espanha, a meio do curso de Economia, deu-me a visão (A lacuna existente). Num estágio que fiz em Madrid, apercebi-me da mais valia que seria guardar a documentação das empresas e depois transladarmo-la para armazéns situados na periferia de Lisboa, onde o custo dos terrenos é bastante mais económico. O curso, alguma competência e os meus pais garantiram o dinheiro para o arranque.

Que balanço faz dos 24 anos à frente da EAD?
Só posso fazer um balanço positivo e não estou a ser pretensioso, porque a prova são os nossos números. A EAD é líder de mercado e tem tido um crescimento, ao longo da sua vida, muito sustentável. Temos conseguido sobreviver às adversidades, nomeadamente, à crise recente e até a cisões que, por norma, podem trazer dissabores. Conseguimos sempre dar a volta e satisfazer os nossos stakeholders, e manter sempre um nível de qualidade, no serviço que prestamos, de excelência.  Atualmente, temos instalações em Palmela, Vilar do Pinheiro e ilhas, o que nos permite cobrir, praticamente, todo o país. A par desta excelência, temos o reconhecimento por parte dos nossos colaboradores, que nos coroaram como uma das melhores empresas para trabalhar em 2016. Sem eles, este sucesso não seria tangível.

Quantos clientes tem atualmente a EAD? E como os carateriza?
Atualmente a EAD conta com mais de 680 clientes entre banca, seguradoras, escritórios de advogados, telecomunicações, órgãos públicos, entre outros.

O que mais procuram os portugueses da EAD?
Julgo que o profissionalismo, experiência e know-how estão nos parâmetros de preferência dos nossos clientes. Por alguma razão, muitos dos nossos clientes contactam a EAD porque foram recomendados por outros clientes. Este é o nosso maior reconhecimento.

A EAD chegou a pertencer aos CTT. Como foi o processo de alineação do grupo?
Foi uma relação de 8 anos, muito proveitosa para o desenvolvimento da EAD e dos seus colaboradores. Tivemos o nosso timing de crescimento, mas chegou a uma altura em que ponderámos sair, por ser mais proveitoso para ambas as partes e foi o que aconteceu. Normalmente, as separações são dolorosas, mas aqui não foi o caso, até porque mantemos uma relação de parceria comercial com a instituição.

A EAD foi recentemente distinguida pelo IAPMEI e Turismo de Portugal com o prémio PME Excelência 2016. O que significa este prémio?
Para nós é um motivo de orgulho recebermos este prémio. É um reflexo do nosso trabalho, do empenho de todos aqueles que trabalham connosco e dos clientes que confiam em nós, para cuidarmos dos seus arquivos e da sua documentação. Vemos este prémio como um fator de diferenciação que nos dá reconhecimento no nosso setor e nos faz demarcar.

No ano passado, a empresa foi também considerada uma das melhores empresas para trabalhar em Portugal pela revista Exame. O que contribuiu para esta distinção?
Sem dúvida considerarmos as pessoas como o nosso principal ativo. São elas que nos levam à excelência. Portanto, todas as nossas ações são em primeiro lugar em prol delas.

Como está traçada a estratégia de expansão da EAD? O mercado internacional está nos planos?
A EAD mantém a sua rota de crescimento e a internacionalização está nos nossos planos mais próximos. Este ano, prevemos investir na Polónia e em países da Europa de Leste.

Como vê a EAD daqui a 5 anos?
Líder, inovadora, rentável e dinâmica.

O Paulo já foi também diretor nacional da ANJE – Associação Nacional de Jovens Empresários. Quando estava nesta função qual era a sua preocupação?
Cumprir a missão da ANJE, motivar os jovens para o empreendedorismo. Tal como nessa altura, os jovens já não podem tirar os seus cursos e “exigir” um emprego para a vida, isso já não existe. Como tal, o melhor ativo que existe são eles próprios, algo como jovem SA. Daí também a importância na formação que todos devem permanentemente fazer.

É fácil ser-se empreendedor nos dias de hoje em Portugal?
Sim, muito mais fácil do que há 24 anos. Costumo dizer que, no meu tempo, só existiam empréstimos bancários devidamente avaliados pelo país. Hoje há um pouco de tudo, business angels, capital de risco, etc. Por outro lado, há também mais informação e, como tal, mais oportunidades. É um mundo melhor o atual nesta perspetiva.

O que falta no nosso país que funcione como um incentivo para os jovens empresários?
Treino, é preciso formar, dar as melhores competências técnicas, para que a visão possa ser tornada realidade. Depois, temos algo muito português, que é a capacidade de assumir os erros como naturais e aprender com os mesmos e repetir para fazer melhor. Falta igualmente uma verdadeira política do Estado que incentive o empreendedorismo, a estabilidade legislativa. Os empresários e candidatados a empresários não podem viver na expectativa do que vai ser o próximo Orçamento do Estado e quais as novas restrições, obrigações e impostos que vão surgir.

Foi lançado recentemente um conjunto de 60 medidas da iniciativa “Indústria 4.0”. Em que medida é fundamental a digitalização das empresas portuguesas?
O problema não é digitalizar, o problema é como classificar e arquivar essa informação e ainda o que fazer ao suporte original, o papel. Nesse sentido, penso que as empresas estão mal aconselhadas e preparadas. Nesse sentido, não será uma medida fundamental.

As empresas portuguesas estão preparadas para a transformação digital?Não é um processo fácil, pelo que acima referi. Igualmente, temos notado que as grandes organizações têm muita resistência à mudança, mas, com o passar do tempo, têm vindo a perceber os seus benefícios: aumento do nível de eficiência e redução dos custos operacionais, rastreabilidade dos documentos e, claro, cá estamos nós para ajudar.

Um conselho a quem está a lançar uma start-up e procura investimento…
A visão e a missão são fundamentais, mas não garantem sucesso. Criem equipas pluridisciplinares, sejam ousados e sempre com uma boa relação de capitais próprios vs. capitais alheios, isso demonstra aos restantes parceiros o vosso empenho no sucesso.

Respostas rápidas:
O maior risco: Decidir.
O maior erro: Não decidir.
A melhor ideia: Guardar os arquivos em caixas.
A maior lição: Os anos tornam-nos mais assertivos perante os problemas.
A maior conquista: O prazer diário de trabalhar com a minha equipa.

 
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