Paulo Veiga traça plano de crescimento ibérico da EAD e admite IPO em 3 a 5 anos, em entrevista ao NOW.
“A minha ambição é do tamanho do mundo.”
Foi assim que Paulo Veiga resumiu a visão que continua a orientar o crescimento da EAD, grupo português especializado em gestão documental, arquivo, digitalização e tratamento de informação.
Num setor tradicionalmente pouco mediático, a empresa tem vindo a crescer de forma acelerada. Entre 2019 e 2025, as receitas passaram de 5,8 milhões para quase 18 milhões de euros, impulsionadas por crescimento orgânico e por várias aquisições em Portugal e Espanha.
Hoje, Espanha já representa uma parte relevante da faturação do grupo e a ambição vai mais longe. Paulo Veiga confirmou que a EAD está atualmente a disputar a aquisição de um dos maiores operadores do setor no mercado espanhol.
O objetivo seguinte passa por preparar o grupo para entrada em bolsa num horizonte de três a cinco anos.
A meta é atingir uma faturação na ordem dos 50 milhões de euros e reforçar a consolidação ibérica através de novas aquisições e expansão estratégica.
Espanha passou de oportunidade a prioridade estratégica
A entrada em Espanha tornou-se um dos principais motores de crescimento da EAD nos últimos anos.
Depois da aquisição da Delete Gestión Documental Integral e, mais tarde, da DID, em Pontevedra, o mercado espanhol já representa cerca de 13% da faturação do grupo.
Para Paulo Veiga, fazia pouco sentido ignorar um mercado cinco a seis vezes maior do que o português. “Não podíamos resistir a uma economia que é cinco ou seis vezes superior à nossa.”
A ambição, no entanto, não fica por aqui. “Os alvos que estão identificados são muito grandes.”
A EAD está atualmente a disputar a aquisição de um dos maiores operadores do setor em Espanha, numa operação que poderá acelerar significativamente a consolidação ibérica do grupo.
“A EAD das seis da tarde às nove da manhã não vale nada”
O crescimento do grupo levou também a um forte aumento da estrutura. Desde 2019, o número de colaboradores mais do que triplicou.
Para Paulo Veiga, o verdadeiro valor da empresa continua a estar nas equipas.
Ao longo dos últimos anos, a empresa integrou diferentes culturas empresariais através das aquisições realizadas em Portugal e Espanha, mantendo uma forte aposta em crescimento interno, retenção de talento e evolução das equipas.
“Uma digitalização não é pôr o papel no scanner”
Apesar da aceleração digital, Paulo Veiga considera que o papel continua a ter um peso significativo nas organizações.
Segundo o CEO da EAD, 2025 está mesmo a bater recordes de incorporações de caixas nos centros de operações da empresa.
Ao mesmo tempo, alerta para uma visão demasiado simplista sobre transformação digital. “Uma digitalização não é pôr o papel no scanner e obter uma imagem em PDF.”
Para a EAD, a digitalização só cria valor quando junta tecnologia, processos e pessoas, permitindo às empresas tratar informação de forma estruturada e apoiar decisões mais rápidas e informadas.
A aposta da empresa passa também pela evolução tecnológica contínua e pela integração de novas ferramentas e processos de automação para responder às necessidades dos clientes.
“Falta muito” às empresas portuguesas
Paulo Veiga deixou também críticas à cultura empresarial portuguesa e à dificuldade que muitas empresas continuam a ter em crescer de forma colaborativa e internacional. “Eu gostava de dizer que falta pouco, mas eu acho que falta muito.”
O CEO da EAD apontou a falta de espírito associativo, a dificuldade em criar consórcios e a reduzida capacidade de cooperação empresarial como alguns dos principais entraves ao crescimento das PME portuguesas nos mercados internacionais. Ainda assim, acredita que Portugal continua a ter vantagens competitivas importantes na relação com mercados externos.
“Todos gostam de nós.”
“Temos de nos manter sexy para os clientes”
Para Paulo Veiga, o maior risco para qualquer empresa não é a concorrência nem a tecnologia. É perder relevância.
“Nós temos de encontrar formas de nos mantermos sexy para os nossos clientes.”
É essa lógica que continua a orientar a estratégia da EAD: crescer, consolidar mercado, integrar tecnologia e manter-se relevante num setor que continua a transformar-se rapidamente.
A entrevista completa de Paulo Veiga ao programa Economia Sem Fronteiras pode ser vista aqui.


