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O degelo no Ártico – que consequências?

No início do ano, um vídeo gravado pelo fotógrafo Paul Niklen retratando um urso polar adulto faminto a tentar sobreviver revirando latas de lixo no Canadá não passou indiferente. Desta vez a notícia recai num cargueiro comercial que conseguiu, pela primeira vez, atravessar a rota do norte do Oceano Ártico em pleno inverno. O que explica isto? O aquecimento global e consequente degelo no Ártico.

O gelo no Oceano Ártico nunca foi tão escasso como nos dias de hoje. O inverno já terminou nesta região e o balanço está longe de ser animador. Este foi um dos invernos mais quentes de sempre, e o fenómeno de degelo fez com que o gelo recuasse cerca de 14 milhões de metros quadrados durante as primeiras três semanas do mês de fevereiro.
O degelo é uma consequência do aquecimento global. Este ano, as temperaturas altas fizeram com que o ar frio descesse para Sul, dando justificação às tempestades de gelo que têm devastado a Europa e o Noroeste dos EUA.
Este é um cenário sem precedentes – o solo do gelo marinho está a derreter ao ritmo mais rápido dos últimos 1500 anos e cerca de 79% do gelo do Ártico diminuiu em apenas um ano!

Quais as consequências do degelo?

O aquecimento global está a mudar o modo de vida das populações que vivem próximas dos polos, bem como a fauna e flora dessas regiões.
Estima-se que cerca de 200 milhões de pessoas que vivam nas regiões costeiras, deverão sofrer com o aumento do nível do mar.
Uma das consequências mais preocupantes é o crescimento de vegetação de tundra, muito característica das planícies de clima polar, que substitui a neve e o gelo. Esta vegetação, por não ter capacidade para reflectir a luz e o calor, absorve-o e liberta metano – um gás mais nocivo para a atmosfera que o próprio CO2.
Paralelamente, a cadeia alimentar da região está também a ser afetada pelo degelo. O fitoplâncton que alimenta várias espécies e que cresce sob o gelo do mar é cada vez mais escasso, comprometendo assim a alimentação de diversos animais.
O degelo, tem efeitos muito negativos na fauna e flora do Ártico. A taxa de mortalidade das focas está a aumentar e outra das espécies mais afectadas é o pinguim imperador. Baleias belugas e ursos polares encontram-se fortemente ameaçados devido às fortes mudanças que ocorrem os seus habitats.

Este fenómeno poderá afetar o mundo de uma maneira irreversível e estamos no meio de uma emergência planetária cientista. Por isso é importante adoptarmos atitudes e práticas que permitam amenizar o efeito de estufa. Deixamos-te abaixo algumas dicas:

– Economizar energia eléctrica – ou seja, não deixar luzes acesas desnecessariamente.
– Tirar os aparelhos da tomada se não estiverem a ser utilizados – pois mesmo desligados, estes consomem energia ao ficar na tomada.
– Dar preferência a transportes públicos e bicicletas – e evitar a utilização do carro por se tratar do principal agente poluidor da atmosfera.
– Reciclar o lixo e ter mais cuidado ao consumir embalagens – Reciclar lixo permite evitar a utilização de novos recursos naturais não renováveis e diminuir a quantidade de lixo em aterros, reduzindo por sua vez a quantidade de metano.

(In Science4you)

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