A ULS Arco Ribeirinho digitalizou 2.884 processos laborais, enquanto associações da saúde defendem o fim da duplicação de arquivos em papel.
A ULS Arco Ribeirinho converteu 2.884 processos laborais em arquivo digital. O projeto surge quando quatro associações da saúde pedem ao Governo que deixe de ser obrigatória a conservação simultânea dos mesmos documentos em papel.
A Unidade Local de Saúde do Arco Ribeirinho digitalizou 2.884 processos individuais de Recursos Humanos, correspondentes a 777.559 páginas e 17.721 documentos, num projeto desenvolvido ao longo de sete meses.
A operação abrangeu documentação relativa a cerca de 2.500 profissionais de saúde, incluindo processos com várias décadas de informação. Os documentos encontravam-se dispersos por diferentes instalações e conservados em diversos suportes físicos.
A EAD, empresa especializada na digitalização e tratamento de documentos, assegurou a transição da informação para uma plataforma de gestão documental. Segundo a empresa, os documentos do Serviço de Recursos Humanos foram disponibilizados progressivamente durante a execução do projeto, sem interromper a atividade diária da unidade de saúde.
“Em sete meses, conseguimos converter um arquivo físico extenso e crítico num ativo digital pesquisável, seguro e disponível para apoiar equipas, decisões e futuros projetos de automação”, afirmou Paulo Veiga, CEO da EAD.
O projeto constitui um exemplo da dimensão dos arquivos ainda existentes no setor da saúde, numa altura em que quatro associações representativas dos prestadores privados e convencionados propõem uma revisão das regras de conservação documental.
A Associação Nacional dos Laboratórios Clínicos (ANL), a Associação Nacional de Unidades de Diagnóstico por Imagem (ANAUDI), a Associação Nacional de Cardiologistas (ANACARD) e a Associação Nacional de Unidades de Gastrenterologia (ANUG) enviaram ao Governo e à Entidade Reguladora da Saúde uma posição conjunta em defesa do princípio “um documento, um arquivo”.
As organizações pretendem eliminar a obrigação de conservar simultaneamente em papel e em formato digital documentos que já tenham sido digitalizados, validados e armazenados em sistemas seguros.
A proposta possui um alcance mais amplo do que o arquivo laboral convertido pela ULS Arco Ribeirinho. Ao contrário da unidade de saúde, as associações pretendem que sejam abrangidos processos clínicos, prescrições, relatórios, resultados, imagens médicas, consentimentos informados, documentos de faturação e registos relacionados com qualidade, equipamentos, proteção radiológica e licenciamento, em apenas um único suporte.
“Não faz sentido que um prestador seja obrigado a manter dois arquivos para o mesmo documento, quando a informação já se encontra digitalizada, validada e protegida num sistema seguro”, defendeu Eduardo Moniz, presidente da Federação Nacional dos Prestadores de Cuidados de Saúde e da ANAUDI.
Segundo o responsável, a duplicação consome espaço, recursos humanos e financeiros, tempo e capacidade tecnológica, sem acrescentar valor clínico ou reforçar a proteção dos utentes.
As associações defendem que o arquivo digital deve ser reconhecido como suporte suficiente quando estejam asseguradas a autenticidade, integridade, legibilidade, rastreabilidade, segurança e proteção dos dados.
Esta prática, porém, poderá entrar em conflito com os princípios de minimização dos dados e limitação da conservação previstos no Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados, sobretudo quando estejam em causa informações de saúde.
(in https://www.empreendedor.com/news/unidades-de-saude-digitalizam-documentos-de-recursos-humanos)